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terça-feira, 9 de junho de 2015

Enem 2015 tem 8,4 milhões de inscrições, 10,6% a menos que 2014

Queda faz Exame Nacional interromper sequência de recordes.
Candidatos têm que pagar taxa; prazo é até 21h59 de quarta (10).




O Enem 2015 (Exame Nacional do Ensino Médio) teve 8.478.096 de estudantes pré-inscritos, segundo balanço do MEC (Ministério da Educação).

O número é 10,67% menor que em 2014 e quebra uma sequência de recordes que era registrada desde 2008.

As inscrições para as provas deste ano foram encerradas na sexta-feira (5). Agora, os candidatos ainda têm até 21h59 de quarta-feira (10) para pagar a taxa de inscrição nas agências do Banco do Brasil ou dos Correios (Banco Postal).

A inscrição só é considerada confirmada quando o pagamento é feito ou caso o candidato tenha obtido a isenção da taxa. As provas ocorrerão em 24 e 25 de outubro.

Sequência de recordes


Ainda que todos os pré-inscritos confirmassem a inscrição, o Enem 2015 quebra uma sequência de recordes. No ano passado, o sistema teve 9.490.952 candidatos pré-inscritos e 8.722.356 deles confirmaram a inscrição. O número não pode ser alcançado pelos 8,4 milhões de pré-inscritos na atual edição.

A sequência de alta vinha desde 2008, ano com 4.004.715 inscrições confirmadas, contra 3.568.592 em 2007, ano que apresentou queda em relação à 2006, que teve 3.731.925 inscritos.

Desde 1998, quando o Enem foi criado, também houve queda em 2004. Naquele ano, o total de candidatos (1.547.094) caiu 17,55% em relação ao ano de 2003 (1.876.387 inscritos).

Isenção da taxa



O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, afirmou que o aumento da taxa, de R$ 35 para R$ 63, não influenciou na queda de 10,6%. "Não houve exclusão do Enem por causa da taxa", afirmou ele.

Segundo ele, a hipótese mais provável foi que as pessoas que iriam declarar carência decidiram adiar sua inscrição no Enem. "Onde tivemos redução mais significativa são os que justificam carência para não pagarem a taxa."

O ministro afirmou que houve debate sobre os efeitos do aumento da taxa, mas disse que o aumento é relativo.

"É barato se comparado com taxas de vestibular. Tínhamos esse receio, mas pelo visto esse receio não era procedente. Podemos ficar em princípio tranquilizados de reduzir a taxa de desperdício de provas."

Novas regras
Com a mudança na regra da isenção, aumentou o número de candidatos pagantes do Enem e do número de concluintes. A redução foi na quantidade de candidatos carentes (veja no infográfico).

Enem: pagantes, carentes, isentos

Veja a evolução do número de inscritos nas últimas edições, entre as três categorias de candidatos
2.788.1833.079.1283.407.1883.330.5284.986.8643.726.0431.055.1681.424.9091.344.865PagantesCarentesIsentosEnem 2013Enem 2014Enem 20150M1M2M3M4M5M6M
Fonte: MEC/Inep


Nesta edição, 40,2% estão nessa condição, contra 32,4% no Enem 2014 e 38,9% no Enem 2013, segundo os dados divulgados pelo MEC.

A quantidade de candidatos isentos também cresceu, apesar de em uma taxa menor: em 2015, 15,9% dos inscritos são isentos, contra 15% em 2014 e 14,7% em 2013.

Já o número de candidatos que se tiveram a declaração de carência aceita pelo Inep caiu.

Neste ano, eles representam 43,9% do total. No ano passado, eram 52,5% e, no ano retrasado, eles somaram 46,4% do total de inscritos.

Última hora

O sistema ficou aberto durante 12 dias, mas o ritmo de inscrições foi duas vezes maior na reta final do prazo.

Durante os dez primeiros dias inteiros – entre a abertura das inscrições, às 10h de 25 de maio, e as 10h de quinta (4) –, 5,8 milhões de pessoas fizeram a pré-inscrição no site, o equivalente a uma média de 24 mil inscrições por hora.

Já nos últimos dois dias – entre as 10h de quinta e as 17h desta sexta –, 1,7 milhão de candidatos finalizaram o cadastro no site. Nesse período, a média foi de 54 mil novas inscrições por hora.

Segundo Soares, o sistema do Enem foi feito para suportar uma grande demanda de usuários, para garantir que todos possam completar a inscrição. Uma grande parte dos candidatos fez a inscrição no último dia.
É claro que ocorreram dificuldades pontuais. (...) Nas redes sociais, uma dificuldade é magnificada"
José Francisco Soares,
presidente do Inep

“Na última hora recebemos 162 mil inscrições. Nas últimas 14 horas, 1,9 milhão de pessoas. É claro que ocorreram dificuldades pontuais. Mas sistema que atende a esse número é sistema que foi preparado para atender de forma adequada a todo mundo. Nas redes sociais, uma dificuldade é magnificada”, afirmou o presidente do Inep.

Inscrições por região
De acordo com os dados do MEC, a região que mais teve pré-inscritos no Enem 2015 foi a Nordeste, com 36,67% do total. Em seguida vem a Região Norte, com 31,50% do total de pré-inscritos.

A Região Sudeste responde por 12,04% do total, a Região Sul teve 10,51% dos pré-inscritos, e a Região Centro-Oeste representa 9,29% dos 8,4 milhões de inscritos.

“Nós temos a predominância de inscritos na Região Nordeste, na Região Norte, com grande número de inscritos”, afirmou o presidente do Inep, Francisco Soares.

“Isso é muito estável no Enem. O Inep e o MEC têm muita preocupação e sempre buscam obter esses dados, porque é política pública.”

Em números absolutos, porém, o estado com a maior quantidade de pré-inscritos é São Paulo, com 1.390.297 candidatos.

Cartão de confirmação digital
Neste ano, o cartão de confirmação do candidato será divulgado pelo Inep apenas no site do Enem. Ainda não há data prevista para sua divulgação.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Candidatos do Enem terão de pagar mais por taxa de inscrição

Valor passou de R$ 35 para R$ 63, e não era reajustado desde 2004.[



A taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que não era reajustada desde 2004, passou de R$ 35 para R$ 63. O anúncio foi feito hoje (14) pelo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. Não pagam a taxa os estudantes concluintes do ensino médio que declararem pobreza.

O ministro disse ainda que o reajuste equivale à inflação no período e que a correção será mais frequente. "Vamos reajustar, não sei se anualmente, a cada dois ou três anos, até para que o valor não cause choque ou venha com surpresa, quando deveria vir com naturalidade", disse.

O secretário executivo do Ministério da Educação (MEC), Luiz Cláudio Costa, ressaltou que a taxa do Enem, mesmo com o aumento, permanece inferior à de vestibulares convencionais. Ele destacou que o exame permite ao estudante participar de diversos programas de acesso ao ensino superior.

O MEC anunciou também que será rigoroso com os estudantes isentos que não comparecerem para fazer o exame. De acordo com o órgão, quem não apresentar uma justificativa para a ausência, no exame seguinte, terá de pagar pela inscrição. O ministério vai definir ainda quais serão as justificativas aceitas. Segundo a pasta, do total de 8,7 milhões de estudantes inscritos, 2,5 milhões faltaram, um precentual de 28,6%.

"Não podemos jogar fora 2,5 milhões de provas como ocorreu no ano passado. Muito papel, muito dinheiro público." A maior parte dos faltosos é estudante isento da taxa de inscrição. Segundo o ministro, 65% não tiveram que pagar a taxa e faltaram no ano passado. 

Essa e outras medidas vão gerar uma economia de 20% nos gastos com o exame. Este ano, os estudantes que não compareceram ao exame do ano passado e são isentos não terão que pagar pela inscrição. Eles receberão uma mensagem, a mesma enviada no ano passado, alertando sobre o desperdício e convidando-os a participar da prova.

Perguntado se, ao cobrar a taxa dos estudantes pobres que faltarem ao exame, o MEC estaria desrespeitando a Lei 12.799/2013, que estabelece a isenção para os candidatos de baixa renda e alunos de escolas públicas, o ministro explicou que a lei trata de inscrição para a faculdade. "Entendemos que a lei trata da isenção da inscrição para a faculdade, não é do Enem [que é um exame mais amplo]. Existem princípios que estão na Constituição, de economicidade, de coibir desperdício", disse.

O Enem será aplicado nos dias 24 e 25 de outubro. As inscrições serão feitas pela internet, nosite do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do dia 25 deste mês ao dia 5 de junho. A taxa de inscrição deverá ser paga até o dia 10 de junho. No ano passado, cerca de 6,2 milhões de estudantes fizeram o exame. A expectativa é que 9 milhões se inscrevam este ano.

A nota no Enem pode ser usada para participar de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que disponibiliza vagas no ensino superior público; o Universidade para Todos (ProUni), que oferece bolsas em instituições privadas; e o Sistema de Seleção Unificada do Ensino Técnico e Profissional (Sisutec), que garante vagas gratuitas em cursos técnicos. 

O exame também é pré-requisito para firmar contratos pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), obter bolsas de intercâmbio pelo Programa Ciência sem Fronteiras e certificação do ensino médio.

Ex-gari escreve histórias para contar aos filhos e tem livro publicado no RS

Wagner Fagundes ganhou apoio da comunidade para publicar contos.
Familiares do ex-gari, hoje eletricista, se emocionam ao falar do pai.



Morador de uma pequena casa na Ilha dos Marinheiros, em Porto Alegre, o eletricista Wagner Fagundes virou exemplo de superação na comunidade. Mesmo sem ter o ensino fundamental completo, ele escreveu histórias em um caderno, para contá-las aos filhos pequenos, e teve um livro publicado, como mostra a reportagem do Jornal do Almoço (veja o vídeo).

O filho mais velho, Dhiordan, de 14 anos, se emociona ao falar do pai. O esforço para proporcionar uma boa infância às crianças, ainda que sem condições financeiras, valeu a pena.

"Meu pai é uma pessoa legal, orgulhosa, feliz com seus filhos. Ele é muitas coisas", resume o jovem, sem esconder o choro.

Quando Dhiordan nasceu, Wagner trabalhava como gari. Alguns livros que encontrava no lixo, ele levava para casa. Porém, a maioria das histórias que contava ele escrevia à mão em um caderno. Wagner colocava no papel a vida que imaginava para sua família. Em noites de choro, segundo ele, as histórias acalmavam os pequenos. As crianças foram crescendo e ouvindo uma coleção de contos.

"O motivo [do orgulho] é pela educação que dei pra eles. Sempre li e escrevi. Sou um pai presente e brincalhão. Sempre brinco com eles", conta Wagner. "Condições a gente pode não ter, mas meios para correr atrás existem. É só querer. Educação é coisa que não se compra, vem de princípios, de berço. Meu pai e minha mãe também me passaram".

As histórias do Wagner correram a vizinhança e ganharam notoriedade. O livro com suas histórias acabou publicado.

"Pessoas que eu nem conhecia ajudaram a tornar realidade o sonho de uma pessoa da comunidade carente. Isso faz a gente acreditar num país tão sofrido como o nosso, que existe gente boa pensando na educação. Isso inspira para quem sabe surgir uma editora para lançar mais livros", afirma ele.

Além dos filhos, Wagner ganhou novos leitores. Ele é convidado, como autor, para ir a escolas falar da sua primeira obra infantil. "Ele para mim é uma pessoa incrível", elogia a mãe, Sandra Fagundes.


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Brasil ocupa 60ª posição em ranking de educação em lista com 76 países

Em primeiro lugar está Cingapura, seguido de Hon Kong e Coreia do Sul.
Na última posição do rankig está Gana.




A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta quarta-feira (13) um ranking mundial de qualidade de educação. Entre os 76 países avaliados, o Brasil ocupa a 60ª posição. Em primeiro lugar está Cingapura, seguido de Hon Kong e Coreia do Sul. Na última posição está Gana.

Enquanto o topo da lista ficou com os países asiáticos, as últimas 15 posições ficaram com os países sul-americanos Argentina em 62º,Colômbia, em 67º, e Peru com 71º lugar.

O ranking foi definido a partir de resultados de testes de matemática e ciências aplicados nestes países. Além dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), foram analisados o TIMSS, dos Estados Unidos, e o TERCE, aplicado em países da América Latina.

Avaliação
O Pisa avalia conhecimentos de leitura, matemática e ciências dos adolescentes. O Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação(MEC), é quem aplica a prova no Brasil.

O Pisa avalia conhecimentos e habilidades que capacitam os alunos para uma participação efetiva na sociedade. A avaliação em leitura busca saber qual é a compreensão, o uso e a reflexão dos estudantes sobre textos escritos para alcançar objetivos. Já na matemática a intenção é medir a capacidade de atender suas necessidades no mundo para, por exemplo, expressar ideias bem fundamentadas.

A principal finalidade do programa é produzir indicadores dos sistemas educacionais. São avaliados alunos na faixa dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Advogado de Limeira aprovado em 5 mestrados nos EUA vai para Harvard

'Quero estar em uma discussão de nível mundial', diz jovem de 28 anos.
Rafael de Almeida Andrade escolheu estudar com alunos de 70 países.




Aos 28 anos, Rafael de Almeida Rosa Andrade fala três idiomas, tem dois livros jurídicos publicados e está prestes a concluir um mestrado na Universidade de São Paulo (USP). Com experiência de 6 anos como advogado, adquiriu credenciais para o sucesso profissional na área. Mas o jovem de Limeira (SP) quer ir além. Mais precisamente para os Estados Unidos, onde foi aprovado em cinco cursos de mestrado e escolheu Harvard.

O advogado inicia os estudos no exterior até o final do ano. Além do curso em Cambridge, ele poderia optar por bolsas de estudos obtidas em Yale, Stanford, Columbia e Chicago. Mas fez a escolha por uma experiência "de nível mundial". Em Harvard, o jovem vai estudar em uma turma com 160 alunos de 70 países. A seleção durou mais de seis meses em terras americanas.

Formado em direito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ele conta que a decisão de emendar um mestrado no Brasil com outro no exterior é resultado de uma "curiosidade" acadêmica.

"Estou concluindo um curso na USP e pode soar estranho ir aos EUA fazer mais um mestrado, mas a pesquisa que vou desenvolver lá tem um foco diferente. Pretendo compreender melhor determinados aspectos do sistema jurídico norte-americano e dialogar com alguns professores e pesquisadores. Ser aceito significa muito pra mim. É a chance de estar em uma discussão de nível mundial e influenciar mais do que eu esperava em questões relevantes", disse Andrade.

Disciplina
"Nunca estudei 10 horas por dia, até porque já trabalho. O maior segredo é ter disciplina. Sempre 'fucei' e fui crescendo. Sou extremamente focado e acho que isso pesa. Achava que tinha condições de conseguir (uma bolsa), mas não esperava nas cinco", confessa o jovem que atualmente trabalha em São Paulo, onde é associado a um escritório de advocacia.

"Eu fiquei com muita dúvida entre Harvard e Yale. Yale é, atualmente, a melhor faculdade de direito dos EUA e aceita anualmente apenas 20 e poucos alunos do mundo inteiro para o programa de mestrado. Harvard, por exemplo, aceita 160, mas possui um núcleo muito forte de pesquisa aplicada em direito societário e direito dos contratos, e eu achei que isso ajudaria muito minha linha de pesquisa", disse.

Andrade ainda ressaltou a localização geográfica de Harvard e o aspecto cosmopolita do campus. "Recebe anualmente alunos com históricos muito diferentes e eu achei que isso seria muito interessante para o processo de ensino e discussão sobre o direito."

Futuro
A bolsa de mestrado internacional tem duração de um ano e é parcial. "Não cobre todas as despesas. Mas estou me preparando e valerá todo esforço. Vou colher os frutos do conhecimento", disse. Ele pretende "esticar" a estadia nos EUA por mais um ano após o curso.

"O tempo exato dependerá do sucesso da minha pesquisa e do meu interesse em continuar vinculado a Harvard, aí já como aluno do doutorado", finalizou.

terça-feira, 31 de março de 2015

No Brasil, 75% das adolescentes que têm filhos estão fora da escola

Brasil tinha 309 mil meninas de 15 a 17 anos nessa situação em 2013.
Mais de 257 mil delas não estudam nem trabalham, segundo levantamento.


Sheila Andrade tinha 16 anos e iniciava o terceiro ano do ensino médio na Zona Sul de São Paulo quando descobriu que estava grávida do então namorado. Aos cinco meses de gravidez, a dificuldade de se locomover a pé até a escola a fez desistir de estudar. Hoje, seu filho Brayan tem seis meses, e a jovem passa os dias em casa cuidando do bebê, enquanto tenta uma vaga em uma creche pública, para poder então voltar às aulas.

A jovem Sheila, hoje com 17 anos, encara a realidade de outras mais de 309 mil mães adolescentes que estão fora da escola, segundo levantamento do Movimento Todos pela Educação, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013, ao qual oG1 obteve acesso.

A Pnad mostrou que o Brasil tinha 5,2 milhões de meninas de 15 a 17 anos. Dessas, 414.105 tinham pelo menos um filho. Neste grupo, apenas 104.731 estudam. As outras 309.374 estão fora da escola. Um pequeno grupo só trabalha (52.062).

A maioria dessas jovens (257.312 adolescentes) não estudam nem trabalham. É o caso de Sheila, que depois do nascimento de Brayan teve de parar de estudar e trabalhar. "Quero concluir o ensino médio e conseguir um emprego", diz Sheila.

Mães adolescentes e a educação
Veja a situação escolar e laboral das jovens com entre 15 e 17 anos e pelo menos um filho em 2012 e 2013
367.075414.105275.517309.37491.558104.731totalsem estudarna escola20122012,52013100k200k300k400k0k500k
Fonte: Todos pela Educação/Pnad 2012 e 2013


As garotas que já são mães, mas ainda não terminaram o ciclo básico de ensino, abandonaram os estudos e estão desempregadas são um desafio para o poder público, que tem até 2016 para matricular todos os e as adolescentes de 15 a 17 anos na escola.

O prazo faz parte de uma das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE). A meta 3 diz que o Brasil precisa "universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até o final do período de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%". Isso quer dizer que, além de ter todos os adolescentes matriculados, 85% deles precisam estar matriculados no ensino médio, e não em anos do ensino fundamental, com o aprendizado defasado.

A realidade atual mostra que 1,3 milhão de pessoas de 15 a 17 anos não estudam, não trabalham e não terminaram o ensino médio. A maior parte dessas pessoas é do sexo feminino.

No período analisado, o número de garotas sem diploma, aulas ou emprego aumentou mais que o de meninos. Ele foi de 715.139 para 806.220. Em 2012, as garotas nessa situação representavam 58,7% do total. Em 2013, elas passaram a representar 59,1% de todas as pessoas de 15 a 17 anos fora da escola e do mercado de trabalho.

No caso específico das mães adolescentes, houve aumento no número de matriculadas na escola. Mas cresceu ainda mais o número de jovens com filhos sem estudo ou trabalho. Isso porque, em 2013, havia menos meninas de 15 a 17 anos trabalhando do que em 2012.

MEC não tem programa específico
Procurado pelo G1, o Ministério da Educação afirmou que não tem um programa específico que trate desse público (mães e gestantes em idade escolar que desistem dos estudos), mas que desenvolve dois programas de prevenção à gravidez na adolescente e de oferta de creches: o Escola que Protege e o Proinfância, programa para a construção de creches e pré-escolas em parceria com prefeituras.

"Cabe lembrar ainda que a oferta de educação infantil é de responsabilidade dos municípios, conforme coloca a LDB [Lei de Diretrizes e Bases]", disse o MEC, em nota (veja a nota na íntegra ao final da reportagem).


Meta fora da trajetória
Segundo Alejandra Meraz Velasco, coordenadora-geral do Todos pela Educação, o desafio de incluir os e as adolescentes no ensino médio exige "integrar outras políticas públicas para além da educação, para conseguir garantir educação básica de qualidade pra todos".

A meta "não está na trajetória certa", de acordo com ela. "O que a gente observa é que [a meta] não está na trajetória certa. Principalmente a segunda parte da meta, que é a taxa líquida de matrículas, o jovem chegando no ensino médio na idade correta. Para isso acontecer, a gente precisa que se regularize a situação também no ensino médio. A solução para o ensino médio depende do sucesso nas etapas anteriores."

Pior índice de escolaridade
O estudo mostra que as mães adolescentes que não trabalham nem estudam apresentam os piores índices de escolaridade entre a população de 15 a 17 anos fora da escola. A maioria delas (55,4%) não chegaram a completar o ensino fundamental. Considerando todos os jovens dessa idade que não trabalham nem estudam, a porcentagem média dos que não têm instrução, ou têm o fundamental incompleto, cai para 47,2%.

Em geral, adolescentes do sexo feminino fora da escola e do mercado de trabalho têm escolaridade mais alta que os do sexo masculino: 27,9% delas terminaram o ensino médio, 29,3% têm pelo menos o fundamental completo e o ensino médio incompleto, e 42,7% não chegaram a concluir o ensino fundamental.

Já entre os meninos nessa situação, 22,9% concluíram o ensino médio, 23,3% concluíram o ensino fundamental, e 53,8% deles deixou a escola sem o diploma do fundamental.

Maioria das mães adolescentes não estudam nem trabalham
Nº de jovens de 15 a 17 anos foram da escola e do mercado aumentou 17% entre 2012 e 2013
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Fonte: Todos pela Educação/Pnad 2012 e 2013
Evasão provocada pela gravidez


Alejandra afirma que as meninas têm níveis de escolaridade maior, de acordo com os dados, e que, por isso, a evasão escolar no caso específico das mães adolescentes é provocado pela maternidade, e não por falta de interesse na escola.

"As meninas acabam abandonando, apesar de terem tido uma trajetória escolar mais adequada que os meninos, um desempenho melhor. Elas acabam saindo por uma questão alheia à educação. A gente precisaria de políticas públicas, que também passam pela educação, mas a assistência [social], a saúde precisariam ser envolvidas para a gente poder enfrentar esse desafio", explicou a coordenadora do Todos pela Educação.

Veja a nota do Ministério da Educação

"Não temos um programa específico que trate desse público. O que o MEC desenvolve, de forma suplementar, é o Proinfância. É um programa para construção de creches e pré-escolas em parceria com as prefeituras. Cabe lembrar ainda que a oferta de educação infantil é de responsabilidade dos municípios, conforme coloca a LDB.

Em relação à prevenção, o MEC tem ações por meio do programa Escola que Protege.

No entanto, diante das competências estabelecidas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei nº 9394/1996 -, é responsabilidade de cada uma das unidades federadas (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) atuar junto a seus sistemas de ensino em todos os temas e questões no âmbito de suas atribuições, considerando que as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação estão mais próximas da realidade dos estabelecimentos de ensino. Entendemos que é necessário apoiar, por meio de políticas públicas, os sistemas de ensino a estimular as escolas para que insiram, de forma sistêmica e integrada, o debate sobre preconceito, discriminação, violências no cotidiano escolar, com a participação de toda a comunidade e outros setores sociais."

quinta-feira, 12 de março de 2015

Aos 85 anos, idoso realiza 'sonho antigo' e vira calouro de direito no RS

Agrônomo, jornalista e professor, Luiz Alberto se matriculou na Fadergs.
Aposentado brinca com a idade avançada entre os jovens estudantes.




Um aposentado que vive em Porto Alegre decidiu realizar um sonho antigo para expandir o conhecimento acumulado ao longo de 85 anos de vida: ingressou no curso de direito da Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Agrônomo, jornalista e professor, Luiz Alberto Ibarra agora se vê diante de um novo desafio. Entre o Código Penal e estudantes bem mais jovens, muitos com menos de um quarto de sua idade, o calouro Luiz Alberto tenta aprender aquilo que sempre desejou saber desde a década de 1940.

As aulas começaram no início do mês, no Centro da capital gaúcha. Já diplomado, ele apenas se inscreveu na faculdade, que o dispensou do vestibular. Como um “estranho no ninho”, Luiz Alberto foi chegando e sentiu a surpresa dos colegas ao ver um aluno de idade avançada participando na sala de aula como se fosse um adolescente, cheio de energia, disposto a encarar os 10 semestres da graduação.

“No início eles ficaram surpreendidos pela chegada daquele cidadão de tanta idade. Tem muitos jovens de 17 anos, vários mesmo. Mas também entre eles tem uns mais maduros, de 40, 45, até 60 anos”, relata o aposentado ao G1.

Nos primeiros dias, um estudante de 17 anos sentou-se ao lado de Luiz Alberto e puxou conversa. Queria saber sua idade, de onde vinha o motivo de estar ali. “Ele chegou com um skate na mão e eu não poderia perder a brincadeira para quebrar o gelo. Pedi para ele me emprestar o skate. Disse que queria descer a escadaria, que mostraria a ele como se faz. Ele se assustou um pouco e acabei dizendo que não era para me levar tão a sério”, brinca.



Luiz Alberto nasceu em Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Aos 15 anos, se mudou para Porto Alegre para estudar. O sonho de fazer direito vem desde aquela época, quando morava na casa de estudantes. No entanto, no fim da década de 1940, encontrou o início do movimento tradicionalista gaúcho, se aproximou de Paixão Côrtes, que cursava agronomia, e decidiu enveredar para o mesmo lado.

“O direito é um sonho antigo e que foi se renovar agora, né? Sempre gostei. Morava com estudantes de direito e tinha muito interesse pela profissão. Mas na mesma época nasceu o CTG 35 (Centro de Tradições Gaúchas). Tomei gosto pelo movimento e me integrei a eles, inclusive conheci o Paixão (Côrtes). Ele fazia agronomia. Fui incentivado e acabei tomando esse rumo na vida”, recorda.

Casado há quase 60 anos, Luiz Alberto tem quatro filhos e três netos. Família que incentivou, e muito, o reencontro com o direito. “Ah, o pessoal de casa me deu muita força. O importante agora é o conhecimento, né? São coisas novas que vou aprender. Depois eu penso no que vou fazer com o diploma. Agora ainda é muito cedo”, diz o aposentado, que tem formatura prevista para quando completar 90 anos de idade.

Emocionada, a neta Rafaela Ibarra comemorou junto com a família a atitude do avô. “Foi decisão dele. A gente sempre os incentiva para fazer algo diferente. Até para saúde, né? Mas não imaginávamos uma graduação”, disse ao G1. Em sua página pessoal no Facebook, Rafaela também deixou uma mensagem para compartilhar a emoção do momento e incentivar novos - ou velhos - “calouros”.

“Não caibo em mim de tanto orgulho e emoção! Hoje, aos 85 anos de idade, inicia-se uma nova fase na vida de meu 'abuelito'! Luiz Alberto Ibarra, Bebeto, agrônomo, professor, agora, mais uma vez, aluno. Hoje, provavelmente o calouro mais “maduro” do curso de direito da Fadergs (...) Meu exemplo de superação! Façamos sempre o que nos faz feliz, independentemente da idade ou das dificuldades, nunca é tarde para correr atrás dos nossos sonhos”, escreveu a neta.


quarta-feira, 11 de março de 2015

USP sobe 30 posições em ranking 'top 100' de reputação acadêmica

Lista da Times Higher Education é feita a partir da opinião de acadêmicos. Única instituição brasileira na lista, a USP aparece na faixa 51º-60º lugar.


A Universidade de São Paulo (USP) subiu 30 posições e aparece entre as 100 melhores instituições de ensino superior do mundo em reputação no meio acadêmico, segundo o ranking divulgado nesta quarta-feira (11) pela instituição londrina Times Higher Education (THE).

O ranking foi montado a partir de uma pesquisa com mais de 10,5 mil professores convidados de 150 países. Única universidade brasileira entre o “top 100” do ranking, a USP aparece na faixa entre o 51º e o 60º lugar. No ano passado, a USP estava na faixa de 81º ao 90º lugar.

A lista que leva em conta a reputação da universidade entre os pesquisadores do meio acadêmico. A pesquisa pediu aos acadêmicos experientes para destacar o que eles acreditavam ser o mais forte das universidades para o ensino e a pesquisa em seus próprios campos.

Veja as 10 primeiras universidades no ranking de melhor reputação acadêmica pelo THE
PosiçãoInstituiçãoPaís
1º)Universidade HarvardEUA
2º)Universidade de CambridgeReino Unido
3º)Universidade de OxfordReino Unido
4º)Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)EUA
5º)Universidade StanfordEUA
6º)Universidade da Califórnia - BerkeleyEUA
7º)Universidade PrincetonEUA
8º)Universidade YAleEUA
9º)Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech)EUA
10º)Universidade ColumbiaEUA
51º-60º)Universidade de São PauloBRASIL
Fonte: Times Higher Education, Top Universities by Reputation 2015


O diretor da THE, Phil Baty, elogia a "recuperação" da USP no ranking. "É ótimo ver a USP se levantando. Estar na elite mundial é vital para São Paulo e para o Brasil. Ser o carro-chefe pode ajudar a atrair e reter talentos que vão beneficiar todo o país", comentou.

"A reputação acadêmica de uma universidade não só influencia os investimentos e decisões de financiamento, mas, e mais importante, também ajuda a instituição a desenvolver e cultivar seu único maior ativo - o seu aluno e talento acadêmico", destacou Baty.



Reitor destaca qualidade
O reitor da USP, Marco Antônio Zago, comentou em nota o resultado do ranking. "Acredito que isso resulte do reconhecimento progressivo da qualidade da USP, assim como do avanço real da qualidade da pesquisa e da contribuição de nossa universidade para a sociedade, na forma de educação e geração de conhecimento", diz.

"A melhora da reputação resulta de conhecimento mais amplo da qualidade da produção científica da USP e do maior trânsito internacional dos pesquisadores e egressos da universidade. Esse resultado coincide com o sucesso que temos alcançado em outras avaliações internacionais, como o US News and World Report Ranking of Global Universities, que classificou a USP na 77ª posição, sendo a quinta em agronomia; 19ª em ciência animal e de plantas; 36ª em farmacologia e toxicologia; 46ª em matemática; 60ª em microbiologia; 65ª em biologia e bioquímica; 78ª em química; 87ª em física e 94ª em medicina.

Entre as dez primeiras colocadas estão oito universidades dos Estados Unidos e duas do Reino Unido. A Universidade Harvard segue em primeiro lugar com a maior reputação acadêmica, segundo o ranking. As universidades britânicas de Cambridge e Oxford, superaram o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade Stanford, e agora estão na segunda e terceira posições, respectivamente. Depois são mais cinco americanas: Berkeley, Princeton, Yale, Caltech e Columbia.

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